
Olá, tudo bem? Nada melhor como a véspera do dia da Consciência Negra pra eu puxar um assunto que muitos gostam de varrer pra debaixo do tapete. Essa palavrinha feia, carregada de significados e de humilhação. Por que não falar de preconceito? Engana-se quem pensa que nessas terras tropicais não existe o famigerado sentimento de exclusão. Nosso país, com a diversidade de raças e credos compartilha (e muito!) do maldito preconceito. O preconceito tem várias formas, não é só de raça ou cor de pele. Tem aquele contra os pobres, os deficientes físicos e mentais, os gordinhos, os idosos… Quem de nós nunca sofreu algum tipo de preconceito por causa de alguma pecualiaridade, digamos assim? Vou contar uma historinha pra vocês que ocorreu comigo. Há 2 anos atrás eu resolvi que iria prestar o Enem. Fiquei sabendo que eu não precisaria pagar a matrícula, pois o Mec garantia a matrícula pra quem não podia pagar por ela, bastando que eu fosse numa agência dos Correios e alegasse que eu não poderia pagar. Olha, na verdade não me lembro agora qual o valor da taxa, o fato é que eu não estava trabalhando na época e não queria depender do meu marido pra pagar isso pra mim, queria fazer as coisas por mim mesma. Então, diante disso, lá vou eu toda pimpona pra fila dos Correios pra sacramentar a minha inscrição. Chegando lá, tinha 2 filas: uma pra quem iria pagar, com 2 atendentes à disposição e outra pra quem iria alegar pobreza e fazer o Enem de graça. Imagina só isso, a fila de quem iria pagar andava muito mais rápido que a minha e portanto era bem pequena, já a fila em que eu estava, era enorme! E parecia de própósito, o caixa que colocaram pra "fila dos pobres" era muito lerdo (ele era novato) e a fila não parava de crescer. Lá pelas tantas, acho que já fazia 1 hora que eu aguardava a minha vez, começou um tumulto no final da fila, motivado pela excessiva demora no atendimento. O chefe da agência veio pra intervir. O cidadão chefe dos Correios, um homenzinho sem educação, gritou bem assim: "Olha só, é o seguinte, se vocês não fizerem silêncio aí na fila e ficarem direitinho no lugar de vocês, eu vou suspender o atendimento." Alguem, no final da fila (que a essa altura já devia ter umas 50 pessoas), respondeu que ele deveria dividir as filas, já que a outra não tinha nem 10 pessoas naquele momento, que assim o atendimento seria mais rápido. O Chefe da agência fala bem assim: "Se você quer ser atendido rapidamente, então deveria pagar. Quem é pobre tem que ficar nessa fila aí mesmo e aguentar, esperar chegar a vez, suportar a demora e falar baixinho, porque senão eu suspendo o atendimento." Nossa, naquela hora me bateu um sentimento tão ruim! Pô, não era meu direito estar ali naquela fila e pedir a isenção da minha matrícula? Pra que nos tratar daquela maneira? Pensei em sair da fila e desistir, fiquei mesmo tentada a fazer isso, mas pensei melhor e não saí! Ora, quem aquele cara pensava que era? Superior? Só se fosse na condição do cargo dele, mas com relação aos seus subordinados, não a mim! Pensei também em falar-lhe umas verdades, mas desisti, eu não ia me estressar ainda mais. Naquele momento senti todo o preconceito de quem precisa de serviços e não é bem atendido por causa da sua classe social, cor da pele, intelecto… Eu não posso entender porque alguem faz esse tipo de coisa contra o seu próprio semelhante! Como é que pode existir gente capaz de torcer o nariz pra outras pessoas só porque elas são de outra condição social? Não, não dá pra entender. Não é isso que o Cristo nos ensina. Não é isso que eu aprendi com os meus pais (um branco, de olhos verdes, casado com uma negra!), não é isso que ensino para os meus filhos! Onde está o respeito pela condição humana? É preciso uma reforma de consciência, uma lavagem da alma! Tolerância, essa é a palavra! Se cada um de nós fosse mais tolerante com as diferenças de nossos irmãos, o preconceito seria banido da face da Terra!
A todos uma ótima semana, fiquem na paz de Jesus.

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